Estou indo embora, baby baby baby…

Olãaan,

Nem sei se vem alguém ainda por aqui, mas achei por bem escrever que me mudei. hahahaha

Estou escrevendo desde o ano passado no blog HiLo no Portal D24AM, onde também trabalho como repórter.

Como pretendo me dedicar ao espaço de lá, vim convidar todos vocês (se tiver alguém por aí ainda), a ir ler alguma frescura por lá.

Aguardo vocês.

Kombi Rosa

xoxo
Camila

 

PS1: Algum dia eu volto pra escrever qualquer bobagem.

Outflow

Escrever é enfiar o dedo na garganta

Todo mundo, um dia, tem dificuldade de se aceitar. Essa hora chega mais dia, menos dia. E, quando chega, pode demorar. A gente pensa que seria mais fácil se a gente vivesse uma vida diferente, como a de quem a gente admira.

E quando falo em se aceitar falo em muitos sentidos: no sentimento, na aparência,  no corpo, no cabelo… Eu tive e tenho problemas com todos eles. Não é mentira.

O fato é que hoje todo mundo se preocupa com a vida de todo mundo, porque todo mundo faz questão de expor. E se você não expõe, as pessoas vão especular e até inventar mentiras (não que eu me importe com algumas mentiras que surgiram sobre mim, porque, no fundo, eu sei o que aconteceu).

Daí você fica sabendo exatamente de tudo: quem comeu o que, onde foi, com quem e o que viu. E daí você começa a fazer a mesma coisa. E o ciclo vai se formando. O pior é que você quer que as pessoas vejam e GOSTEM do que você colocou. No fundo é uma busca por autoafirmação e um pedido de aprovação  do meio em que você vive. E você quer que mais gente veja!

Minha preocupação e minha falta de aceitação vieram, acredito eu, depois de um problema e uma série de questões decorrentes do tal problema que ficaram na minha cabeça durante muito tempo. Eu sentia falta de algo que eu não tive e, pra completar, estava doente de verdade.

Não é frescura. A partir daí, se desencadearam várias coisas. Eu não conseguia me olhar no espelho, nem queria que me olhassem. Eu engordei, com facilidade. E não queria me preocupar com nada a respeito, mas as pessoas sempre fazem questão de lembrar. (E eu ainda tenho que suportar gente que pesa 40 quilos dizer que tá gorda)

Minha mãe sempre me exigiu uma boa aparência, talvez em uma tentativa de se completar o que não pode fazer durante a minha idade. Tive que trocar muitas vezes de roupa antes de por os pés fora de casa.

Me vi completamente sozinha. Não tinha com quem conversar e não que eu quisesse, porque não fazia sentido e também não me ajudava. Algum tempo depois, eu pude contar sem ser julgada e ir aos poucos aceitando que tudo isso que aconteceu e que a vida segue.

Mas eu não tinha e não tenho a intenção de chamar a atenção para mim. E nem quero culpar, ou arranjar motivos para eu ter ficado de determinado jeito. Eu geralmente não quero atenção nenhuma. O quanto menos eu puder interagir, eu prefiro.

Fui ao psicólogo, todas essas questões passaram por ele. Uma tortura: eu que não expus NUNCA NADA pra ninguém, tinha que explicar meus sentimentos pra alguém. Nem sempre dava muito certo, mas ok. Eu chorava mais que falava alguma coisa.

Foi uma época muito chorona, em um determinado momento, eu pensei estar em um princípio de depressão. Tudo, sinceramente, não fazia sentido algum. E nada parecia caminhar. Era uma lerdeza. Cadê o botão para acelerar?

No final das contas, nada me ajudou mais do que ALGUMAS PESSOAS que estiveram por perto e que, mesmo sem saber (talvez agora, se lerem, possam saber), me ajudaram a me recuperar e ir vivendo (não que eu quisesse me matar). E percebi que, de vez em quando, a gente tem tristeza, quer que as coisas andem mais rápido, quer viver a vida de outra pessoa, porque simplesmente é mais incrível.

A máxima de qualquer tratamento deste tipo: um dia de cada vez”. Eu emagreci um pouco, nada demais. Eu agora estou mais preocupada com a aparência (e sinceramente não sei o quanto isso é bom). E estou vivendo um dia de cada vez

Como eu disse acima, nunca abri isso pra ninguém. Pouca gente na época sabia. Dá pra contar nos dedos de uma mão e ainda sobram dedos…  E se sabem, não sabem da história por inteiro. Nunca dá pra saber, porque é muito complicado. Eu prefiro deixar guardado, pra que outras experiências superem. Será que isso faz sentido?

Por deixar guardado. Tenho muitas guerras internas. Que ninguém precisa ou merece (porque seria muito chato) ficar sabendo. Se alguém me perguntar “tudo bem?”, eu respondo “tudo bem”, porque eu não tenho o direito de alugar ninguém com essas coisas e nem ninguém precisa ficar sabendo pra me julgar depois. E acreditem em mim, já tentei contar a parte sobre minha mãe e minha posterior frustração e chateação e não me entenderam. Acontece que é algo tão pessoal que não importa ficar contando por aí.

É uma exigência de si mesmo, uma cobrança incessante, que te fode a vida inteira. Eu estou tentando não me foder tanto…

E por que eu estou escrevendo tudo isso de uma vez? Não sei e nem sei se faz sentido